terça-feira, 26 de junho de 2012


O CAIR NO ESPÍRITO: UMA ANÁLISE CRÍTICA DO FENÔMENO À LUZ DAS EVIDÊNCIAS HISTÓRICAS (TEXTO ATUALIZADO)



As discussões em torno da manifestação do Espírito é uma realidade presente na comunidade cristã desde o período neotestamentário. Quando se trata do fenômeno designado de “cair no Espírito” ou “movimento do cai-cai”, as opiniões de escritores e teólogos são divergentes.
Sobre o cair no Espírito, Paulo Romeiro escreveu:
E ainda que haja ocorrido tais fenômenos nos avivamentos passados, eles não estão acima da autoridade bíblica e nem servem de base para se estabelecer regras de fé e prática na Igreja. Que a Bíblia seja a única a ditar normas quanto a questões espirituais, e não as experiências vividas por terceiros.[1]
Ao concluir seus argumentos sobre o referido fenômeno, buscando uma posição moderada, Romeiro afirma:
Reconheço que Deus tem poder para tocar alguém hoje de tal forma que a pessoa venha a cair. De modo algum sou contra a verdadeira manifestação do poder de Deus. Esta não me preocupa nem um pouco, pois quanto mais, melhor. O que realmente me preocupa são os abusos gerados em torno de tal prática. Estes trazem mais transtornos e divisões para o Corpo de Cristo do que edificação espiritual.[2]
Entre aqueles que promovem os abusos em torno do fenômeno na atualidade, Romeiro descreve:
Este fenômeno foi verificado nos Estados Unidos através do ministério de Maria B. Woodwort-Etter por volta do ano de 1885. Ela mesma relata que muitos ímpios e escarnecedores foram os primeiros a cair debaixo do poder. Depois dela, muitos outros pregadores seguiram tal prática, como Kathryn Kuhlman (de quem Benny Hinn aprendeu) Kenneth Hagin e muitos outros.[3]
Escrevendo sobre o assunto, Ciro Zibordi declara:
Os que defendem a “queda no poder” ignoram os fatos de que o culto a Deus é racional (Rm 12.1) e de que o espírito do profeta está sujeito ao profeta (1 Co 14.32). Isso significa que , por mais que sintamos a presença do Senhor, em um culto, devemos ser prudentes quanto às nossas reações. Devemos ser meninos apenas na malícia, e adultos no entendimento (1 Co 14.20).[4]
Na Lição Bíblica da CPAD (Mestre), do 1º Trimestre/2012, comentada pelo pastor José Gonçalves, lemos o seguinte: De vez em quando aparece uma nova onda no meio dos crentes. São modismos teológicos para todos os gostos. Antes era o cair no espírito, a unção do riso, etc. Atualmente a lista está bem maior.[5]
Diante das declarações acima, entendo ser de fundamental importância uma análise crítica deste fenômeno que tanto tem dividido opiniões ao longo da história.
Manifestações do Espírito no Novo Testamento
O apóstolo Paulo, ao escrever sua primeira carta à igreja em Corinto, de forma mais específica no contexto dos dons (gr. charisma) relacionados em 1 Coríntios 12:4-11, se deparara com as seguintes questões em torno da manifestação do Espírito e dos abusos na administração dos dons espirituais:
- Sentimento de independência ou superioridade (1 Co 12:12-26). Para entender a essência e o propósito da manifestação do Espírito através dos dons, Paulo se utilizou da metáfora do corpo, onde nele cada membro tem a sua importância, e é interdependente do outro. A unidade na diversidade dos dons é destacada, e a soberania de Deus, que coloca os membros no corpo (igreja) como lhe convém é fortalecida, evitando assim qualquer tipo de orgulho e arrogância provenientes de algum sentimento ou pensamento meritório.
- A manifestação dos dons desassociada do amor (1 Co 13:1-13). Na igreja em Corinto abundava a manifestação do Espírito através dos dons, mas faltava amor (gr. agape) na relações com o próximo. Dessa forma, desassociado de compromisso integral com as necessidades integrais do próximo, os dons perdiam o sentido de ser, por ser sem fazer, por ser sem se envolver, por ser sem se comprometer.
- A hiper valorização dos dons menos relevantes para a edificação da igreja (1 Co 14:1-25). Na igreja em Corinto o dom de línguas ganhou importância exagerada, e sua prática tornou-se equivocada na medida em que a interpretação das línguas não era buscada e valorizada no culto público. Paulo precisou colocar as coisas no devido lugar, sem, contudo proibir o falar em línguas.
- A desordem no culto (1 Co 14:26-33). No contexto do culto cristão, onde havia cânticos, doutrina, revelação, línguas e interpretação, tudo deveria convergir para a edificação. Acontece que no culto alguns começaram a falar em línguas simultaneamente, e sem intérprete. O resultado era uma grande confusão. A mesma desordem acontecia com a profecia (gr. propheteia), o que também foi tratado.
Em meio a todas estas questões, a postura do apóstolo Paulo sempre foi a de corrigir o erro através de um ensino claro e objetivo. Paulo entendeu que não ter a manifestação do Espírito através dos dons era um problema maior do que a necessidade de corrigir os abusos e equívocos decorrentes desta manifestação.
Manifestações no Montanismo
O Montanismo foi um movimento religioso que data do século II. Recebe esta designação em razão do ser fundador se chamar Montano, um sacerdote pagão da região da Ásia Menor chamada Frígia que se converteu ao cristianismo.
Eusébio de Cesaréia (263-340 d.C.), em sua "História Eclesiástica", narra os fatos acerca de Montano e seu movimento da seguinte maneira:

"Diz-se haver certa vila da Mísia na Frígia, chamada Ardaba. Ali, dizem, um dos conversos recentes de nome Montano, quando Crato era procônsul na Ásia, tendo na alma excessivo desejo de assumir a liderança, dando ao adversário ocasião para atacá-lo. De modo que foi arrebatado no espírito, sendo levado a certo tipo de frenesi e êxtase irregular, delirando, falando e pronunciando coisas estranhas, e proclamando que era contrário às instituições que prevaleciam na Igreja, conforme transmitidas e mantidas em sucessão desde os primórdios. Mas quanto aos que aconteceu estarem presentes e ouvir esses oráculos espúrios, ficaram alguns indignados, censurando-o por estar sob a influência de demônios e do espírito de engano e por estar apenas incitando distúrbios entre a multidão."[6]
Apesar da importância histórica do relato acima, vale salientar que Eusébio seguiu as ideias teológicas de Orígenes, foi provavelmente bispo de Cesaréia, simpatizou com o arianismo, mas coagido por Constantino, veio a aceitar a ortodoxia do Credo Niceno.[7]Sendo assim, já envolvido com a institucionalização e romanização do cristianismo, é possível perceber a força de suas palavras contra Montano. A frase "falando e pronunciando coisas estranhas", sugere a ideia do falar em línguas.

Sobre Montano, Olson nos narra que ele reuniu um grupo de seguidores, construindo em Papuza uma comunidade. Duas mulheres, Priscila e Maximila, se uniram a ele para profetizar, alertando para o breve retorno de Cristo, e condenando os bispos e líderes como desprovidos de vida, corruptos e apóstatas. Montano e as duas profetisas, quando entravam em transe espiritual, falavam na primeira pessoa como se Deus, o Espírito Santo, falasse diretamente através deles.[8]
O historiador Cairns entende que na tentativa de combater o formalismo e a organização humana, e de reafirmar as doutrinas do Espírito Santo, Montano caiu no extremo oposto, concebendo fanáticas e equivocadas interpretações da Bíblia. O aspecto positivo do movimento foi que:
"O montanismo representou o protesto perene suscitado dentro da Igreja quando se aumenta a força da instituição e se diminui a dependência do Espírito de Deus. Infelizmente, estes movimentos geralmente se afastam da Bíblia, entusiasmados que ficam pela reforma que desejam. O movimento montanista foi e é aviso que a Igreja não esqueça que a organização e a doutrina não podem ser separadas da satisfação do lado emocional da natureza do homem e do anseio humano por um contato espiritual imediato com Deus."[9]
Sherril, escrevendo sobre estes acontecimentos, e enfatizando a sua perspectiva pentecostal, diz que o movimento foi prejudicado pelo aumento das línguas e de outros fenômenos carismáticos.[10]
Olson afirma que na reação contra os abusos e excessos de Montano e seus seguidores, a liderança da igreja procurou se apoiar cada vez menos em manifestações verbais sobrenaturais, como línguas, profecias e outros dons, sinais e milagres sobrenaturais do Espírito. As manifestações carismáticas, sendo agora identificadas com Montano, quase se extinguiram no decorrer da história.[11]
Para Synan[12] e Olson[13], o principal motivo da rejeição do movimento não foi a presença dos dons, mas a afirmação de Montano de que as declarações proféticas estavam no mesmo nível de autoridade com as Escrituras.
A Igreja reagiu a estas extravagâncias, condenando o movimento no Concílio de Constantinopla, em 381, declarando que os montanistas deviam ser olhados como pagãos. Tertuliano, um dos Pais da Igreja, tornou-se montanista.[14]
Com o montanismo, temos a primeira tentativa histórica do resgate da manifestação do Espírito através do dom de línguas, da profecia e dos demais dons designados no pentecostalismo clássico de extraordinários.
Manifestações do “Cair no Espírito” nos Grandes Despertamentos
Durante o Primeiro Grande Despertamento, por volta do ano de 1740, quando uma busca pelo poder do Espírito norteava o ministério de grandes homens de Deus, temos alguns relatos da manifestação do poder do Espírito nas pregações, que resultava em alguns comportamentos (reações) não muito comuns. Deere descreve alguns casos[15]:
John Wesley testemunhou numerosos “sinais externos” durante a sua prédica. Em 17 de junho de 1739, por exemplo, quando pregava numa área rural e “convidava ansiosamente a todos os pecadores a que entrassem ‘no santo dos santos’ por meio desse ‘novo e vivo caminho’”, muitos dos que ouviram, começaram a clamar a Deus com fortes gritos e lágrimas. Alguns caíram, não lhes restando nenhuma força; outros tremiam e se balançavam terrivelmente; ainda outros eram despedaçados com uma espécie de movimento convulsivo, e isso com tanta violência que, com frequência, quatro ou cinco pessoas não eram capazes de segurar os que assim se encontravam.
John Wesley, em seu diário, narra uma experiência vivenciada por George Whitefield, e a descreve da seguinte forma:
Tive a oportunidade de falar-lhe a respeito desses sinais externos que tão frequentemente tem acompanhado a obra interior de Deus. Na verdade, achei que suas objeções eram fundamentadas, principalmente, em rudes deturpações do assunto. Mas, no dia seguinte, ele teve a oportunidade de se informar melhor: porque não muito antes dele começar (na aplicação do seu sermão) a convidar todos os pecadores a crerem em Cristo, quatro pessoas se prostraram diante dele, quase no mesmo momento. Uma delas,estendida, sem sentido e movimento. A segunda, tremendo excessivamente. A terceira teve convulsões fortes por todo o corpo, mas não fez nenhum ruído, a não ser através de gemidos. A quarta, igualmente convulsionou, invocando a Deus com gritos fortes e lágrimas. Desde este dia, creio eu, todos permitiremos que Deus leve adiante sua obra da maneira como lhe agradar.[16]
Jonathan Edwards, considerado o maior teólogo do Primeiro Grande Despertamento, descreve os fatos acontecidos em suas reuniões na América do Norte:
O contágio propagou-se rapidamente por todo o salão. Muitos jovens e crianças... pareciam vencidos pelo senso de grandeza e glória das coisas divinas. Portavam-se com admiração, amor, alegria, louvor e compaixão para com os que se consideravam perdidos. Outros achavam-se vencidos pela agonia em razão de seu estado pecaminoso. Enfim, no salão não havia senão choros, desmaios e coisas parecidas. [...] era mui frequente ver uma casa repleta de clamores, desmaios, convulsões, tanto em meio à agonia quanto em meio à admiração e à alegria... Isso acontecia com tanta frequência, que alguns, nem conseguiam voltar para casa, mas permaneciam a noite inteira onde estavam.[17]
Apesar de Edwards conviver com tais manifestações, Pearcey dá o seguinte testemunho a seu respeito:
Muitos souberam manter o equilíbrio entre devoção e racionalismo, sendo Jonathan Edwards o principal exemplo. De alta formação educacional, Edwards harmonizou de modo admirável a aprendizagem teológica e o fervor espiritual. Até os historiadores seculares reputam-no um dos maiores eruditos da história americana.[18]
Diferente do que muitos pensam, é possível conciliar poder do Espírito com profundidade teológica. Edwards é um claro exemplo disto.
Durante o Segundo (por volta de 1800) e Terceiro Grande Despertamento (por volta de 1830), períodos que antecederam o início do atual derramar do Espírito, os fenômenos continuaram acontecendo. Charles Finney, durante a sua passagem por De Kalb, vivencia a experiência abaixo:
Poucos anos antes, ocorrera ali um reavivamento dirigido pelos metodistas. Fora acompanhado com bastante emoção e com vários casos do que os metodistas chamavam “cair no poder de Deus”. Os presbiterianos haviam resistido ao movimento, e, como consequência, surgiu entre metodistas e presbiterianos um sentimento de hostilidade. Os metodistas acusavam os presbiterianos de terem rejeitado o reavivamento por causa das pessoas quecaíam “no poder”. Pelo que consegui descobrir, existia verdade na acusação, e os presbiterianos haviam decididamente incorrido no erro. Certa noite, não muito tempo depois de eu ter começado a pregar na aldeia, pouco antes de encerrar meu sermão, vi um homem cair da cadeira perto da porta. As pessoas juntaram-se à sua volta para cuidar dele. Pelo que vi, tive a certeza de se tratar de um caso de “cair no poder”, conforme a expressão usada pelos metodistas, pelo que julguei que se tratava de um irmão daquela denominação. Confesso que receei assistir ao retorno do estado de divisão citado anteriormente. No entanto, tomei conhecimento de que quem caírafora um dos membros mais destacados da igreja presbiteriana. É digno de nota o fato que, durante esse reavivamento, tenham ocorrido vários casos semelhantes entre os presbiterianos e nenhum entre os metodistas. Esse fato gerou tantas confissões e esclarecimentos entre os membros de ambas as igrejas que nasceu entre eles um ambiente de grande cordialidade e bons sentimentos.[19]
Citando o relato de Barton W. Stone, uma testemunha ocular do movimentoHoliness, por volta de 1870, que descreve as formas de êxtase ocorridos nos primeiros acampamentos, Vinso Synan escreve[20]:
O exercício da queda era comum a todas as classes: de santos a pecadores de todas as idades e de toda estirpe, de filósofos a palhaços. Esse exercício geralmente consistia em um grito lancinante seguido de uma queda, como de uma árvore, ao assoalho, à terra ou no meio da lama, e a pessoa ficava como morta. Num desses encontros, duas alegres jovens irmãs, de repente emitiram um som agudo de lamento e ficaram caídas,inertes, por mais de uma hora. Finalmente, deram sinal de vida, clamando aflitas por misericórdia, e então retornaram ao estado de inércia. O aspecto do semblante delas era horrível. Depois de certo tempo, a deformação foi desaparecendo até ser substituída por um sorriso celestial, e elas gritavam: “Preciso Jesus!”. Então, elas se levantaram e começaram a dar testemunho do amor de Deus.
Manifestações no avivamento do País de Gales
Frank Bartleman, evangelista pentecostal, crítico e cronista das origens do movimento[21], registra a presença de fenômenos espirituais no ministério de Evan Roberts, líder do avivamento no País de Gales:
Outro escritor declarou que não era a eloquência de Evan Roberts que comovia o povo; eram suas lágrimas. Ele os quebrantava, chorando amargamente para que Deus os dobrasse em tal agonia que as lágrimas escorriam pelo seu rosto e todo o seu corpo tremia. Homens fortes eram quebrantados e choravam como crianças. As mulheres gritavam de medo. O barulho do choro e dos gritos enchia o ar. Quando sua agonia se tornava maior, Evan Roberts chegava a cair diante do púlpito, enquanto muitos dentre o povo chegavam a desmaiar.[22]
Manifestações no início do moderno Movimento Pentecostal.
Quando o derramar no Espírito irrompeu em Los Angeles, especialmente nas reuniões da Rua Azusa, lideradas por William J. Seymour, nas reuniões da Igreja Batista do Novo Testamento, liderada por Joseph Smale e nas reuniões da Rua Eighth com Maple,lideradas por Frank Bartleman, alguns dos fenômenos que aconteciam nos acampamentos Holiness se fizeram presentes ali também. Bartleman, escrevendo em 1925 sobre como o Pentecostes chegou em Los Angeles, relata os seguintes fatos:
Alguém podia estar falando. Repentinamente, o Espírito caía sobre toda a congregação. Deus mesmo fazia os apelos. Homens caíam por toda a casa como mortos numa batalha, ou corriam ao altar em massa buscando a Deus. A cena muitas vezes parecia uma floresta cheia de árvores caídas.[23]
A Igreja do Novo Testamento recebeu se “Pentecostes” ontem. Foi maravilhoso. Homens e mulheres ficaram prostrados diante da quantidade de poder que havia no local. Uma atmosfera celestial invadiu todo o ambiente. Eu nunca antes ouvira cantar daquela maneira. Era uma melodia que parecia vir direto do trono de Deus.[...] Na Igreja do Novo Testamento, uma jovem requintada ficou durante horas protrada no chão.De vez em quando, os mais belos cantos celestiais saíam de sua boca. Subiam até o trono de Deus e depois morriam numa melodia que não era terrena. Cantava: “Louvado seja Deus! Louvado seja Deus!” Na casa inteira homens e mulheres choravam. Um pregador estava deitado com o rosto no chão, “morrendo”. O “Pentecostes” havia chegado.[24]
O trabalho é para valer. Deus está conosco com grande autenticidade. Não ousamos pensar em ninharias. Homens fortes ficam durante horas prostrados sob o poder de Deus, cortados como grama. O avivamento será mundial sem dúvida.[25]
O peso da glória era tal que só podíamos ficar prostrados com o rosto em terra. Pormuito tempo não podíamos nem ficar sentados. Todos ficavam com o rosto no chão, alguns durante o culto inteiro. Eu raramente conseguia sair desta posição, prostado inteiramente com o rosto no chão.[26]
Uma noite nessa época quando eu estava pregando sobre Cristo, colocando-o diante do povo no seu devido lugar, o Espírito testificou de tal forma o seu agrado que fui tomado pela sua presença e caí inerte no chão sob uma poderosa revelação de Jesus na minha alma. Caí a seus pés como João na ilha de Patmos.[27]
Depois, uma senhora idosa de doces feições, uma luterana alemã, testemunhou que quando ouviu o povo louvando a Deus em línguas, orou para ser batizada no Espírito.Depois que estava já deitada começou a falar em línguas e louvou ao Senhor a noite inteira, para espanto de seus filhos.[28]
Uma jovem nessa reunião nessa reunião pela primeira vez foi visitada pelo Espírito eficou meia hora com o rosto brilhando, deitada no chão, sem perceber os que estavam a seu redor, tendo visões indescritíveis. Logo começou a dizer: “Glória! Glória a Jesus!” e falou fluentemente numa língua estranha.[29]
Como se vê nos relatos acima, o “cair no Espírito”, fenômeno bem frequente nos Grandes Despertamentos e nas reuniões pentecostais em Los Angeles, não seguiam um padrão único, sendo descrito como “desmaios e coisas parecidas”, “cair no poder de Deus”, “ficar como morto”, “caídos como mortos numa batalha”, “uma floresta cheia de árvores caídas”, “cortados como grama”, “prostrados com o rosto no chão”, “deitados no chão”.
Os pioneiros do Movimento Pentecostal no Brasil, Daniel Berg e Gunnar Vingren, foram influenciados diretamente por William H. Durhan, pastor da North Avenue Mission de Chicago, um dos berços do pentecostalismo moderno. Em algumas reuniões naquela igreja: uma densa "neblina... como fumaça azul" frequentemente repousava sobre a Missão. Quando isto acontecia, as pessoas que entravam no prédio "caiam" nos corredores (ARAÚJO, 2007, p. 278 apudMiller, 1986, p. 123)
O pastor sueco Lewi Petrus, um dos apoiadores e mantenedores de Daniel Berg e Gunnar Vingren , escreve em sua biografia:
Na noite do mesmo dia a mãe do jovem veio até mim e pediu-me para que eu colocasse as mãos na cabeça de seu filho [...] Em seguida, fui até o jovem que estava ajoelhado ao lado do banco; coloquei minhas mãos sobre ele e assim que comecei a orar o Espírito Santo caiu sobre o jovem com um poder esmagador. Ele foi jogado no chão por causa do poder de Deus e o louvou em alta voz. Logo depois começou a falar em línguas, tornando-se, pelo que me lembro, o primeiro entre os amigos do lugar a receber esse dom. (PETRUS, 2004, p. 80)
Do registro deste fenômeno no início do atual Movimento Pentecostal mundial, passaremos agora a identificá-lo nos primórdios do Movimento Pentecostal no Brasil.
Manifestações no início do Movimento Pentecostal no Brasil
Em seu diário pessoal, Gunnar Vingren, pioneiro das Assembleias de Deus no Brasil, relata um caso de “cair no poder”:
Realizamos um culto de oração na casa da família Brito esta noite. Cerca de 20 pessoas estavam presentes. Quatro moças sentiram o poder de Deus de maneira maravilhosa. Uma delas sentiu tanto o peso dos seus pecados, que começou a chorar e a pedir perdão. Uma amiga sua, que não era crente,sentiu também o poder de Deus de uma maneira tão forte que caiu de costas no chão e começou a clamar a Deus pelo perdão dos seus pecados. Depois o Espírito Santo desceu sobre ela e ela começou a falar em outra língua e a cantar um hino espiritual no novo idioma, que recebera de Deus. Também cantou um hino em português, enquanto o poder de Deus estava sobre ela. Os vizinhos ficaram zangados com o barulho que fizemos. O culto de oração terminou à meia-noite.[30]
Como pode ser observado, assim como os casos descritos ao longo da história, o fenômeno “cair no poder” nunca seguia um padrão único de manifestação. Em alguns casos as pessoas caíam de rosto em terra, em outros casos caíam de costas, em algumas situações ficavam desacordadas, enquanto em outras permaneciam conscientes, tremiam, falavam em línguas, louvavam a Deus, tinham visões, etc..
As atuais manifestações da “Cair no Espírito” à luz das evidências históricas
Assim como no caso do “rir debaixo do poder”, quando se analisa o “cair no Espírito” à luz das narrativas históricas, percebem-se algumas diferenças do atual movimento nas igrejas pentecostais e neopentecostais:
- As manifestações das “cair no Espírito” não eram manipulações psicológicas;
- Não se marcava culto para “cair no Espírito”;
- “Cair no Espírito” era uma manifestação espontânea;
- Não se idolatrava “pregadores” ou “mestres” por serem portadores de uma unção especial do “cair no Espírito”;
- O culto não girava em torno da manifestação do “cair no Espírito”;
O comentário de Jack Deere, ex-professor do Seminário Teológico de Dallas,EUA, é bastante pertinente:
Diante das manifestações físicas causadas pela obra de Deus, devemos nos alegrar, mas jamais glorificá-las. Se as glorificamos, estaremos levando o povo a falsas crenças e ênfases equivocadas. Pois o mais importante não são as manifestações, mas as obras que as provocam. A obra do Espírito deve ser honrada na convicção, na cura e no livramento; jamais deve ser honrada por causa de sua reação.[31]
O “Cair no Espírito” e o argumento da falta de evidência bíblica
Assim como no caso do “rir debaixo do poder” (ou “unção do riso”), a principal objeção para o “cair no Espírito” é a suposta falta de evidência bíblica acerca do fenômeno. Como já me pronunciei tratando sobre o “rir debaixo do poder”, não acredito que todas as possibilidades de manifestação do poder do Espírito estão restritas às páginas da Bíblia. Escrevendo, por exemplo, sobre os atos de Jesus, o evangelista João declara
Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e, se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amém! (Jo 21.25, ARC)
Sobre a falta de evidência bíblica para fenômenos espirituais, Deere argumenta
Testar os frutos de uma obra é absolutamente essencial nos casos em que as Escrituras não se manifestam. Esse teste também é aplicável aos que, embora esposem doutrinas corretas, o fruto de suas vidas e de seu ministério não se harmoniza com tais doutrinas. Conscientes ou inconscientemente os tais enganam-se a si mesmos. Não devemos avaliar algo mediante a sua bizarria ou estranheza. O estranho não é regra bíblica para se determinar se uma ação ou ministério procedem ou não de Deus. Suponhamos que víssemos um alcoólatra, que espanca a sua esposa e é inimigo de Deus, gritando e, de repente, cair imóvel por 24 horas durante uma reunião religiosa. E, se o tal homem se levantasse para nunca mais beber ou bater na esposa? E se ele começasse a amar a Deus acima de tudo? E começasse a amar a Deus e à sua Palavra? Por mais bizarro que isso nos parecesse, teríamos que extrair daí a seguinte conclusão: o Espírito Santo realmente operou nessa vida. Pois nem o diabo, nem libertam do vício. Tais coisas aconteceram e continuam a acontecer durante os avivamentos.[32]
No atual meio pentecostal assembleiano não é incomum em algumas reuniões e eventos a manifestação do cair no Espírito. Em alguns casos a apelação e a manipulação por parte de alguns pregadores é escancarada e vergonhosa, enquanto que em outros, sem nenhum tipo de indução, as pessoas “caem no poder”.
Concluindo, abusos, meninice, demônios, modismos ou qualquer outro tipo de interpretação sobre o “cair no Espírito” precisa ser resultado de um julgamento imparcial e com discernimento espiritual, antes da condenação e repúdio total do referido fenômeno.


[1] Romeiro, 1997, p. 75.
[2] Ibid., p. 77.
[3] Ibid., p. 71
[4] Zibordi, 2006, p. 34.
[5] Gonçalves, 2012, p. 8.
[6] Cesaréia, 2003, p. 182.
[7] Ibid., p. 12.
[8] Olson, 2001, p. 30.
[9] Cairns,1988, p. 82-83.
[10] Sherrill, 2005, p. 102.
[11] Ibid., p. 31
[12] Synan, 2009, p. 34.
[13] Ibid.
[14] Leal, 2010, p. 1577 .
[15] Deere, 2009, p. 92-94.
[16] Wesley, 2009, p. 105-106.
[17] Deere, ibid., p. 93
[18] Pearcey, 2006, p. 300.
[19] Rossel & Dupuis, 2006, p. 139-140.
[20] Synan, 2009, p. 53-54.
[21] Araújo, 2007, p. 117.
[22] Bartleman, 1981, p. 25.
[23] Ibid., p. 48.
[24] Ibid., p. 50-51.
[25] Ibid. p. 54.
[26] Ibid. p. 58.
[27] Ibid., p. 75-76.
[28] Ibid., p. 78.
[29] Ibid., p. 79.
[30] Ibid., p. 131.
[31] Deere, 2009, p. 99.
[32] Ibid., p. 98-99.

Referências Bibliográficas
ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
CAIRNS, Earle E. O cristianismo através dos séculos: Uma história da igreja cristã. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 1988.
CESARÉIA, Eusébio de. História Eclesiástica: os primeiros quatro séculos da igreja cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
DEERE, Jack. Surpreendido pelo poder do Espírito. 9. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.
GONÇALVES, José. O surgimento da Teologia da Prosperidade in Lições Bíblicas, 1º Trimestre de 2012. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.
LEAL, Jerônimo. Tertuliano, in Berardino, Angelo di; Fedalto, Giorgio; Simonetti, Manlio.Dicionário de Literatura Patrística. São Paulo: Editora Ave-Maria, 2010.
OLSON, Roger. História da Teologia Cristã: 2000 anos de tradição e reformas. São Paulo: Vida, 2001.
PEARCEY, Nancy. Verdade absoluta: libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
PETRUS, Lewi. Lewi Petrus: a vida e obra do missionário sueco que expandiu a mensagem pentecostal no Brasil e no mundo. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
ROMEIRO, Paulo. Evangélicos em crise: decadência doutrinária na igreja brasileira. 3. ed.: São Paulo: Mundo Cristão, 1997.
ROSELL, Garth; DUPUIS Richard. Memórias originais de Charles G. Finney: uma narrativa de reavivamentos que marcaram a história. São Paulo: Editora Vida, 2006.
SHERRILL, John L. Eles falam em outras línguas. São Paulo: Arte Editorial, 2005.
SYNAN, Vinson. O século do Espírito Santo: 100 anos de avivamento pentecostal e carismático. São Paulo: Vida, 2009.
ZIBORDI, Ciro Sanches. Evangelhos que Paulo jamais pregaria. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
WESLEY, John. O diário de John Wesley: o pai do metodismo. São Paulo: Arte Editorial, 2009.

sexta-feira, 22 de junho de 2012


Por que Deus permitiu poligamia na Bíblia?




 A questão de poligamia na Bíblia é bem interessante porque a maioria das pessoas enxerga poligamia como imoral, apesar de que não podemos encontrar nenhuma passagem que explicitamente condena tal ato. O primeiro exemplo de poligamia / bigamia na Bíblia foi Lameque em Gênesis 4:19: “E tomou Lameque para si duas mulheres…” Vários homens importantes na Bíblia eram polígamos. Abraão, Jacó, Davi, Salomão e outros tinham várias mulheres. Em 2 Samuel 12:8, Deus, falando através do profeta Natã, disse que se as esposas e concubinas de Davi não fossem suficientes, Ele teria providenciado ainda mais para Davi. Salomão tinha 700 esposas e 300 concubinas (esposas de um status inferior) de acordo com 1 Reis 11:3. Como devemos lidar com esses exemplos de poligamia no Velho Testamento? Há três perguntas que precisam ser respondidas. (1)Por que Deus permitiu poligamia no Velho Testamento? (2) Como Deus enxerga poligamia hoje? (3)Por que houve uma mudança?
 
Por que Deus permitiu poligamia no Velho Testamento?

        A Bíblia não diz especificamente porque Deus permitiu poligamia. O melhor que podemos fazer é elaborar especulações “informadas”. Há alguns fatores importantes a serem considerados. Primeiro, sempre tem existido mais mulheres no mundo do que homens. Estatísticas atuais mostram que aproximadamente 50.5% da população mundial são mulheres, com homens sendo 49.5%. Ao supor que também era assim nos tempos antigos, e ao multiplicar por milhões de pessoas, haveria dezenas de milhares de mulheres a mais do que os homens. Segundo, guerras nos tempos antigos eram muito brutais, com uma taxa de mortalidade muito alta. Isso teria resultado em uma porcentagem ainda maior de mulheres. Terceiro, devido a sociedades patriarcais, era praticamente impossível que uma mulher solteira providenciasse para si mesma. As mulheres frequentemente não tinham nenhuma educação ou treino. As mulheres dependiam de seus pais, irmãos e maridos para sua provisão e proteção. Mulheres solteiras eram sujeitas frequentemente à prostituição e escravidão. Quarto, a diferença significante entre o número de mulheres e homens teria deixado muitas, muitas mulheres em um situação muito indesejável.
         Então, aparenta ser o caso que Deus permitiu poligamia para proteger e providenciar pelas mulheres que provavelmente não achariam um marido de outra forma. Um homem que tinha várias esposas providenciava e protegia todas elas. Enquanto acreditamos que esse não era o ideal, viver em um lar polígamo era melhor do que as outras alternativas: prostituição, escravidão, fome, etc. Além de proteção e provisão, poligamia capacitou um crescimento muito mais rápido da humanidade, realizando o comando de Deus de “sede fecundos e multiplicai-vos/ povoai a terra e multiplicai-vos nela” (Gênesis 9:7). Homens são capazes de engravidar várias mulheres no mesmo período de tempo… causando um crescimento na humanidade muito mais rápido do que se cada homem pudesse produzir apenas uma criança a cada ano.
 
Como Deus enxerga poligamia nos dias de hoje?

        Mesmo quando permitiu poligamia, a Bíblia apresenta monogamia como o plano que mais se conforma com o plano ideal de Deus para o casamento. A Bíblia diz que a intenção original de Deus era para que um homem fosse casado com uma só mulher:
 
“Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher (não mulheres), tornando-se os dois uma só carne (não várias carnes)” (Gênesis 2:24).

        Enquanto Gênesis 2:24 está descrevendo o que o casamento é, ao invés de quantas pessoas estão envolvidas, o uso consistente do singular deve ser destacado. Em Deuteronômio 17:14-20, Deus disse que os reis não deviam multiplicar esposas (ou cavalos ou ouro). Enquanto isso não pode ser interpretado como um comando para que os reis fossem monogamistas, ainda pode ser entendido que ter várias mulheres causa problemas. Isso pode ser visto claramente na vida de Salomão (1 Reis 11:3-4).
         No Novo Testamento, 1 Timóteo 3:2,12 e Tito 1:6 dá “marido de uma só esposa” como uma das qualificações para liderança espiritual. Há certo debate em relação ao que essa qualificação significa. A frase pode ser traduzida literalmente como “homem de uma mulher só”. Se esta frase está ou não se referindo exclusivamente à poligamia, de forma alguma pode um polígamo ser considerado “marido de uma só esposa”. Mesmo que essas qualificações sejam especificamente para posições de liderança espiritual, elas devem ser adotadas igualmente por todos os Cristãos. Não devem todos os Cristãos ser
 
“irrepreensível…temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento…” (1 Timóteo 3:2-4)

        Se somos chamados a ser santos (1 Pedro 1:16), e se esses padrões são santos para os presbíteros e diáconos, então esse padrões são santos para todos.

 
         Efésios 5:22-23, uma passagem que fala do relacionamento entre maridos e esposas, quando se refere a um marido (singular) também se refere a uma esposa (singular).
 
“…porque o marido é o cabeça da mulher (singular)… Quem ama a esposa (singular) a si mesmo se ama. Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher (singular), e se tornarão os dois uma só carne… cada um de per si também ame a própria esposa (esposa) como a si mesmo, e a esposa (singular) respeite ao marido (singular)”.

        Enquanto uma outra passagem paralela, Colossenses 3:18-19, refere-se a maridos e esposas no plural, é bem claro que Paulo está se dirigindo a todos os maridos e esposas entre os crentes de Colosso; ele de forma alguma está afirmando que um marido pode ter várias esposas. Em contraste, Efésios 5:22-33 está descrevendo especificamente o relacionamento matrimonial. Se poligamia é permitido, toda a ilustração do relacionamento de Cristo com o Seu corpo (a igreja), e o relacionamento do marido com sua mulher, cai aos pedaços.
 
Por que houve uma mudança?

        Não é uma questão de Deus desaprovando algo que Ele previamente aprovou, mas sim uma questão de Deus restaurando o casamento ao Seu plano original. Mesmo quando estudamos Adão e Eva (não Evas), poligamia não era a intenção original de Deus. Deus aparenta ter permitido poligamia para resolver um problema, mas era o Seu desejo que esse problema nunca tivesse ocorrido. Na maioria das sociedades modernas, não há necessidade alguma para poligamia. Em muitas culturas de hoje, as mulheres podem se proteger e providenciar para si mesmas – removendo o único aspecto“positivo” de poligamia. Além disso, muitas nações modernas declaram poligamia ilegal. De acordo com Romanos 13:1-7, devemos obedecer as leis que o governo estabelece. A única situação onde desobedecer a lei é permitido nas Escrituras é se a lei contradiz os comandos de Deus (Atos 5:29). Já que Deus apenas permite poligamia, mas não faz dela um comando, uma lei que proíbe poligamia deve ser respeitada.
         Será que existem algumas situações onde poligamia seria aceito ainda hoje? Talvez… mas é insondável que não existiria nenhuma outra solução. Devido ao aspecto de “uma só carne” do casamento, à necessidade de união e harmonia no casamento e à falta de uma necessidade verdadeira para a existência de poligamia, somos firmes na crença de que poligamia não honra a Deus e que não é o Seu plano para o casamento.


Fonte- Mídia Gospel

quinta-feira, 21 de junho de 2012


Quem escolhe? Deus ou nós?


Essa pergunta tem levantado acirrados debates teológicos. Somos nós que escolhemos ser salvos ou é Deus, em Sua soberania, que escolhe quem Ele quer? Será que todos tem oportunidade de salvação?
         A princípio talvez sua resposta seja: "somos nós que escolhemos, afinal todos tem oportunidade". Mas será que é isso mesmo que a Bíblia ensina? Vamos analisar os textos bíblicos e depois você poderá responder com mais precisão.

A Bíblia não diz que Deus amou o mundo?
         Sim, com certeza!

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16

E amar o mundo não significa escolher todas as pessoas do mundo?
         Não! Veja o que Jesus falou sobre Seus discípulos:

“Se vocês fossem do mundo, o mundo os amaria por vocês serem dele. Mas eu os escolhi entre as pessoas do mundo, e vocês não são mais dele. Por isso o mundo odeia vocês.” João 15:19

Então não somos nós que escolhemos a Deus? É Ele que nos escolhe?
         Exatamente. Assim Ele diz:

“Não foram vocês que me escolheram; pelo contrário, fui eu que os escolhi para que vão e dêem fruto e que esse fruto não se perca.”  João 15:16a

Quando Ele nos escolheu?
        Antes da criação do mundo.

"Antes da criação do mundo, Deus já nos havia escolhido para sermos dele por meio da nossa união com Cristo, a fim de pertencermos somente a Deus e nos apresentarmos diante dele sem culpa..."  Efésios 1:4

Mesmo sendo Deus que nos escolheu, será que Ele não nos escolheu por que sabia das nossas obras futuras?
         Não, pois a salvação não depende das nossas obras, mas sim do plano e da graça de Deus.

"Deus nos salvou e nos chamou para sermos o seu povo. Não foi por causa do que temos feito, mas porque este era o seu plano e por causa da sua graça. Ele nos deu essa graça por meio de Cristo Jesus, antes da criação do mundo."  2 Timóteo 1:9

Tem algum exemplo na Escritura que mostre isso?
        Sim, Jacó e Esaú são um bom exemplo de que Deus não leva em consideração as obras de ninguém na hora de escolher.

"Mas, para que a escolha de um deles fosse completamente de acordo com o plano de Deus, o próprio Deus disse a Rebeca: “O mais velho será dominado pelo mais moço.” Disse isso antes de eles nascerem e antes de fazerem qualquer coisa, boa ou má. Assim ficou confirmado que é de acordo com o seu plano que Deus escolhe aqueles que ele quer chamar, sem levar em conta o que eles tenham feito. Como dizem as Escrituras Sagradas: “Eu escolhi Jacó, mas rejeitei Esaú.”  Romanos 9:11 e 12

Amar um e rejeitar outro antes de nascerem não é uma grande injustiça de Deus?
         De modo nenhum. Veja:

"Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia."  Romanos 9:14-16

Que direito Deus tem pra agir assim?
         O direito que o Criador tem sobre aquilo que Ele cria.

"Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?"  Romanos 9:20 e 21

Mas por que Deus escolhe uns e não escolhe outros?
         Porque quer mostrar o seu poder sobre os vasos da ira e também mostrar a sua glória nos vasos de misericórdia.

"E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para perdição, para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?"  Romanos 9:22-24

         Acho que Deus pode escolher pessoas para muitas coisas, mas não para a salvação.

Onde a Bíblia diz que é escolha para a salvação?
         Em várias passagens das Escrituras, veja um exemplo:

"Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo."  2 Tessalonicenses 2:13 e 14

Será que não foi por que eu quis buscar a Deus que Ele me deu a salvação?
         Não, pois o homem natural, afastado de Deus, nunca o busca. Como está escrito:

"Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só."  Romanos 3:10-12

Sim, mas eu tive fé. A minha fé não veio antes da escolha de Deus?
         Não! Primeiro é preciso que Deus escolha a pessoa, para que então ela tenha fé.

"Pois esta é a ordem que o Senhor Deus deu a nós, o seu povo: “Eu coloquei você como luz para os outros povos, a fim de que você leve a salvação ao mundo inteiro.” Quando os não-judeus ouviram isso, ficaram muito alegres e começaram a dizer que a palavra do Senhor era boa. E creram todos os que tinham sido escolhidos para ter a vida eterna."  Atos 13:47 e 48

Mas a fé é minha ou é um dom de Deus?
         A fé é um dom de Deus!

"Por causa da bondade de Deus para comigo, me chamando para ser apóstolo, eu digo a todos vocês que não se achem melhores do que realmente são. Pelo contrário, pensem com humildade a respeito de vocês mesmos, e cada um julgue a si mesmo conforme a fé que Deus lhe deu."  Romanos 12:3

E o meu arrependimento?
         Até o arrependimento tem que ser concedido por Deus.

"E ao servo do Senhor não convém contender, mas, sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão os que resistem, a ver se, porventura, Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade e tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em cuja vontade estão presos."  2 Timóteo 2:24-26

Então ninguém pode ser salvo se Deus não permitir?
         Exatamente. Foi isso que Jesus falou.

"E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido."  João 6:65

Há mais textos que falam isso?
         Sim. Veja:

"Todos aqueles que o Pai me dá virão a mim; e de modo nenhum jogarei fora aqueles que vierem a mim. Pois eu desci do céu para fazer a vontade daquele que me enviou e não para fazer a minha própria vontade. E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum daqueles que o Pai me deu se perca, mas que eu ressuscite todos no último dia."  João 6:37-39

Então por que Jesus falou até por meio de parábolas? Não foi pra que todas as pessoas pudessem entender Sua mensagem?
         Muito pelo contrário, Ele usou parábolas justamente para que os que não foram eleitos não entendam, não se arrependam e, conseqüentemente, não sejam perdoados.

"Jesus disse a eles: —A vocês Deus mostra o segredo do seu Reino. Mas para os que estão fora do Reino tudo é ensinado por meio de parábolas, para que olhem e não enxerguem nada e para que escutem e não entendam; se não, eles voltariam para Deus, e ele os perdoaria."  Marcos 4:11 e 12

Eu nunca tinha visto as coisas dessa forma. Pode me mostrar mais textos que mostrem isso?
         Sim. O apóstolo Paulo, após falar sobre o povo de Israel e mostrar que mesmo dentro do povo escolhido haviam escolhidos, fala sobre a época da igreja:

"A mesma coisa também acontece agora, isto é, por causa da graça de Deus, ainda existe um pequeno número daqueles que ele escolheu. Essa escolha se baseia na graça de Deus e não no que eles fizeram. Porque, se a escolha de Deus se baseasse no que as pessoas fazem, então a sua graça não seria a verdadeira graça. E isso quer dizer que não foi o povo de Israel que encontrou o que estava procurando. Quem encontrou foi apenas um pequeno grupo que Deus escolheu; os outros não quiseram ouvir o chamado de Deus. Como dizem as Escrituras Sagradas: 'Deus endureceu o coração e a mente deles; deu-lhes olhos que não podem ver e ouvidos que não podem ouvir até o dia de hoje."  Romanos 11:5-8

Deus endurece o coração e a mente das pessoas?
         Sim, Ele endurece o coração e a mente de quem quer quando isso é necessário para cumprir Seu plano.

"Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos, nem entendam com o coração, e se convertam, e sejam por mim curados."  João 12:40

Pode mostrar algum exemplo disso na Bíblia?
         Sim. Faraó é um bom exemplo de alguém que teve o coração endurecido por Deus.

"Porém o SENHOR endureceu o coração de Faraó, e não os ouviu, como o SENHOR tinha dito a Moisés."  Êxodo 9:12

"Porque, como está escrito nas Escrituras Sagradas, Deus disse a Faraó: “Foi para isto mesmo que eu pus você como rei, para mostrar o meu poder e fazer com que o meu nome seja conhecido no mundo inteiro.” Portanto, Deus tem misericórdia de quem ele quer e endurece o coração de quem ele quer."  Romanos 9:17 e 18

Tenho uma dúvida: Judas Iscariotes era um escolhido?
         Não, Judas não era um escolhido. Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus fala que eles foram escolhidos, exceto Judas.

"Eu afirmo a vocês que isto é verdade: o empregado não é mais importante do que o patrão, e o mensageiro não é mais importante do que aquele que o enviou. Já que vocês conhecem esta verdade, serão felizes se a praticarem. —Não estou falando de vocês todos; eu conheço aqueles que escolhi. Pois tem de se cumprir o que as Escrituras Sagradas dizem: 'Aquele que toma refeições comigo se virou contra mim'. Digo isso a vocês agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vocês creiam que 'EU SOU QUEM SOU'."  João 13:16-19

         Pedro fala que Judas se desviou para ir para o seu próprio lugar.

“E, orando, disseram: Tu, Senhor, conhecedor do coração de todos, mostra qual destes dois tens escolhido, para que tome parte neste ministério e apostolado, de que Judas se desviou, para ir para o seu próprio lugar.”  Atos 1:24 e 25

Isso quer dizer que algumas pessoas já estão predestinadas para a condenação?
         Veja:

“Porque se introduziram furtivamente certos homens, que já desde há muito estavam destinados para este juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de nosso Deus, e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.”  Judas 4

Se é assim, então quer dizer que Deus criou essas pessoas para serem condenadas?
         Exatamente.

“O Senhor fez tudo para um fim; sim, até o ímpio para o dia do mal.”  Provérbios 16:4


Existem muitos escolhidos?
         Jesus disse que não.

"Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos."  Mateus 22:14

E os escolhidos podem perder a salvação?
         Não, pois ninguém pode arrebatar as ovelhas da mão de Jesus, e nada pode nos separar do amor de Deus, pois é Ele que nos justifica.

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar."  João 10:27-29

"Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor."  Romanos 8:38 e 39

"Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica."  Romanos 8:33

Mas há pessoas que abandonaram a fé cristã. Elas não perderam a salvação?
         Não, pois na verdade nunca foram salvas. A Bíblia diz que são como porcas que foram lavadas e voltaram para a lama. Jesus diz que nunca conheceu essas pessoas. Mesmo que tenham feito milagres, expulsado demônios e profetizado em Seu nome, nunca foram Dele.

"Portanto, aqueles que chegaram a conhecer o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e que escaparam das imoralidades do mundo, mas depois foram agarrados e dominados por elas, ficam no fim em pior situação do que no começo. Pois teria sido muito melhor que eles nunca tivessem conhecido o caminho certo do que, depois de o conhecerem, voltarem atrás e se afastarem do mandamento sagrado que receberam. O que aconteceu a essas pessoas prova que são verdadeiros estes ditados: 'O cachorro volta ao seu próprio vômito' e 'A porca lavada volta a rolar na lama'."  2 Pedro 2:20-22

"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade."  Mateus 7:21-23

E o que acontecerá com aqueles que morreram sem conhecer a Palavra de Deus?
         Perecerão, pois a única forma de salvação é a fé em Cristo.

"Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados."  Romanos 2:12

"Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim."  João 14:6

"E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos."  Atos 4:12

Pode citar mais textos que falam sobre o assunto?
         Sim. Aí estão:

"... havendo sido predestinados, conforme o propósito dAquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da Sua vontade; com o fim de sermos para louvor da Sua glória ..."  Efésios 1:11-12

"Sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus; porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder ... e vós fostes feitos nossos imitadores ..."  1 Tessalonicenses 1:4-6

"... tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus ..."  2 Timóteo 2:10


"... segundo a fé dos eleitos de Deus ..."  Tito 1:1

"Mas vós sois a geração escolhida ... o povo adquirido ..."  1 Pedro 2:9

"... vencerão os que estão com Ele, chamados, e eleitos, e fiéis."  Apocalipse 17:14

"Assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste."  João 17:2

"Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus. A salvação não é o resultado dos esforços de vocês; portanto, ninguém pode se orgulhar de tê-la."  Efésios 2:8 e 9

"... o qual, tendo chegado, aproveitou muito aos que pela graça criam."  Atos 18:27

"Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou."  Romanos 8:28-30

"Ouvindo isto, os discípulos ficaram grandemente maravilhados e disseram: Sendo assim, quem pode ser salvo? Jesus, fitando neles o olhar, disse-lhes: Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível".  Mateus 19:25 e 26

"Para ele, os seres humanos não têm nenhum valor; ele governa todos os anjos do céu e todos os moradores da terra. Não há ninguém que possa impedi-lo de fazer o que quer; não há ninguém que possa obrigá-lo a explicar o que faz.”  Daniel 4:35

“Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu sou o Senhor, que faço todas estas coisas.”  Isaías 45:7

"Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar."  Mateus 11:27

"Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade."  Filipenses 2:13

         Nesse estudo aprendemos que é Deus quem nos escolhe, e nos escolhe entre as pessoas do mundo. Descobrimos que Ele opera em nós tanto o querer quanto o efetuar, que é poderoso para endurecer o coração de quem quer, e ter misericórdia de quem quer, pois, assim como um oleiro, Ele tem poder sobre o barro para, da mesma massa, fazer um vaso para honra e outro para desonra, segundo a Sua vontade.
         Vimos também que a escolha foi feita antes da criação do mundo, e não levou em conta as nossas obras, nem boas nem más. Deus fez Sua escolha de acordo com o Seu plano. O homem natural não pode nem quer buscar a Deus, pois a própria fé é um dom de Deus, e o arrependimento tem que ser concedido por Ele.
         Aqueles que o Pai deu a Jesus inevitavelmente irão a Ele, e os que vão a Ele jamais serão lançados fora. Os eleitos nunca perecerão, pois ninguém pode arrebatar as ovelhas da mão de Jesus e da mão do Pai.
         Espero que você seja fortalecido na fé em saber que é de Deus que depende a nossa salvação, e que Ele merece todo o crédito e todo o mérito pela obra realizada em nós.

Glória somente a Deus!


Autor: Tiago Vieira

terça-feira, 19 de junho de 2012

A Formosa Jerusalém



Publicado em 18 de Junho de 2012 as 09:01:16 AM 
Texto Áureo: II Pe. 3.13 - Leitura Bíblica: Ap. 21.9-18



INTRODUÇÃO

É chegado o final de mais um trimestre com uma lição que direciona nosso olhar para a eternidade, à formosa Jerusalém, cidade celestial que vem de Deus. Na primeira parte da lição trataremos a respeito dessa cidade, em seguida, destacaremos suas características, e, ao final, apontaremos sua procedência, que nos motiva a continuarmos firmes na fé, na esperança que há em Jesus.

1. A CIDADE CELESTIAL

Logo no início do Ap. 21, João declara ter visto “novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram” (v. 1.). É digno de destaque que o enfoque bíblico é sempre na terra, e menos no céu, diferentemente da cosmovisão helenista. O “mar também já não existe”, pois a terra será redimida, a mesma que, como parte da criação, geme (Rm. 8.22). Ele também viu “a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo”, que é Cristo (Ap. 21.2). Essa é a pátria verdadeira dos santos, a morada dos santos (Hb. 12.23; Fp. 3.20), que descerá do céu para a terra no início do milênio e ficará acima da Jerusalém terrestre. Ela é o “tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles” (Ap. 21.3). Esse será o cumprimento da profecia de Ez. 37.27: “o meu tabernáculo estará com eles, e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo”. O antigo tabernáculo tinha a shekinah - a glória -de Deus, a Sua glória, manifesta na encarnação, através de Cristo, quando o Verbo se fez carne (Jo. 1.14). No futuro, todas as promessas, tanto para Israel quanto para a Igreja, se concretizarão, haverá um só povo de Deus. Então, “Ele lhes enxugará dos olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap. 21.4). Toda a tristeza humana terá o seu final, não haverá mais tragédias, a morte morrerá, as pessoais não mais prantearão os seus mortos.

2. FORMOSA JERUSALÉM

Então, João ouviu a voz dAquele que estava assentado no trono: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap. 21.5). Esse processo de renovação já começou em Cristo, através do estabelecimento do Seu reino, na dimensão do “já”. Pois, “se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (II Co. 5.17). É bem verdade que tudo isso se dará na dimensão do “ainda não”, mesmo assim, quando, por fim, “a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm.21). Por esse motivo, os cristãos têm a responsabilidade, enquanto cidadãos do Reino, de se envolverem na tarefa de renovação da terra. Isso diz respeito ao compromisso ambiental, da preservação da criação de Deus. Adiante, disse mais: “está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da água da vida” (Ap. 21.6). Ele é o Primeiro e o Último, o cumprimento de todas as promessas, o próprio Cristo (Ap. 22.13). Ele é a água da vida, disponibilizada à mulher samaritana (Jo. 4.4,10,14), e oferecida a todos aqueles que têm sede (Jo. 7.37). Por isso, podem bebê-la, hoje, os que se aproximam dessa Água, ainda que essa será dada plenamente, a “quem vencer”, os quais herdarão “todas as coisas” e serão chamados filhos de Deus (Ap. 21.7). Não podemos esquecer que, por adoção, fomos feitos de Deus (Jo. 1.12), com o direito de chamá-Lo de Aba, paizinho (Gl. 4.1), herdeiros de Deus com Cristo (Rm. 8.18).

3. DE DEUS

Mas alguns ficarão de fora da cidade de Deus: “aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicários, e aos mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte” (Ap. 21.8). Esses são: os covardes, que não tiveram coragem de sofrer por Cristo (Mt. 13.21); os incrédulos, aqueles que se recusaram a crer no evangelho (Sl. 14.1; 53.1); os que praticam a idolatria (I Co. 6.10); os assassinos, que não valorizam a vida e propagam a cultura da morte (Gl. 5.21); os que se envolvem em atos sexuais ilícitos (Ef. 5.5); os que se relacionam com o mundo das trevas em práticas ocultistas (Ex. 22.18); os que adoram o anticristo, que se prostram perante falsos deuses (II Ts. 2.4; Gl. 5.20); e os que seguem ao pai da mentira (Jo. 8.44), que negam a Jesus, o Filho de Deus (I Jo. 2.22). Cada cristão deve fiar-se na fé em Cristo para entrar na cidade de Deus. A beleza desta deve nos motivar à constância, as palavras de João são insuficientes para descrevê-la. Ele ousa apenas assemelhá-la: “E tinha a glória de Deus; e a sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente” (Ap. 21.11). A presença de Deus será intensa, não apenas ocasional, como acontecia no Antigo Pacto (Ez. 40.34; 48.35). Ela terá “um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos de Israel” (Ap. 21.12). Essa é uma alusão direta a Ez. 48.31, onde o número 12 tem significado especial, considerando as doze tribos de Israel e os doze discípulos de Jesus. As três portas e os doze fundamentos de Ap. 21.13, 14 têm a ver com os profetas e apóstolos, com a unificação das duas alianças. O anjo que falava com João mediu a cidade e identificou sua simetria 2.200 quilômetros de cada lado, a largura do muro é de 64 metros, sua perfeição.

CONCLUSÃO

Essa é uma cidade especial, feita de jaspe, e nós, nos tempo presente, mesmo em meio às adversidades, a esperamos, e nada no presente século deve nos distanciar desse foco. Os templos suntuosos das igrejas não se comparam a sua formosura, pois a “praça da cidade é de ouro puro, como vidro transparente” (Ap. 21.21). João não viu ali santuário, já que “o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-poderoso e o Cordeiro” (Ap. 21.22). A celestial está alicerçada em Deus e em Cristo, por isso, não haverá necessidade de “sol, nem de lua, para lhe darem claridade, porque a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (Ap. 21.23). Como diz o hino sacro, “quão glorioso, cristão, é pensares, na cidade que não tem igual, onde os muros são de puro jaspe, e as ruas de ouro e cristal” (HC. 26).

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